Então a formiga aprendeu a cantar. Começou tomando o espaço
da cigarra nos botecos e restaurantes da região. Em pouco tempo, estava fazendo
turnês nacionais e, logo, mundiais. Ganhou dinheiro, fama, e gastou ambos com
drogas, prostitutas e aparições na TiTiTi.
Voltou esta semana a trabalhar no muque, e avistou a cigarra
como sempre, fumando um paiol na ponta do galho de eucalipto.
Mas, dessa vez, a cigarra tinha algo diferenciado: tinha um
olhar de vencedor.
Pablo Jacinto
12 de julho de 2015


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