Havia
uma Estrela que vivia no espaço, nas imediações do planeta Terra. Ela era uma
estrela muito curiosa e adorava observar a vizinhança. Porém, um dia notou que
estava entediada.
-Ah,
Universo – disse a Estrela – você é tão imponente e bonito! Mas que pena que
para mim, que estou aqui há tanto tempo, a paisagem me parece tão igual... sempre
escuro, sempre sem muita cor...
A
Estrela adorava cores. Poderia passar dias contemplando o vermelho de Marte ou
o amarelo do Sol. Se desse sorte, até conseguia ver o rastro azulado de algum
cometa! Entretanto, de todas as cores, sua preferida era o verde.
Só
que, isso vocês podem imaginar, é muito difícil encontrar algo verde no
Universo! Mas um dia ela teve uma surpresa: enquanto observava o azul da Terra,
a Estrela percebeu pequenos pontos verdes na sua superfície. Ficou encantada
com tamanha beleza, por mais que pouco pudesse enxergar. Resolveu, então,
conversar com a Terra:
-Olá,
Terra! Não pude deixar de reparar que você tem lindas manchas verdes! Elas
muito me admiram e me fazem feliz. Eu gostaria de saber o que elas são!
-Ora,
Estrela – disse a Terra, muito solícita – são minhas florestas! Elas são todas
repletas de árvores com muuuuitas folhas muuuuuuito verdes! Eu adoraria que
você viesse visitá-las, só que há um porém: as florestas queimam facilmente. Um
ser incandescente, como você, reduziria elas facilmente a cinzas.
Naquele
dia, a Estrela brilhou mais intensamente do que de costume, carregada de
excitação. “Eu preciso conhecer as florestas da Terra... nada me faria mais
feliz”. Então foi perdendo o brilho, quando lembrou que nunca poderia vivenciar
seu maior desejo. Como podia ser tão danosa a algo que tanto amava?
O
Universo, então, ao ver a tristeza da Estrela, perguntou o que a deixava tão
triste. Após ouvir a história toda, resolveu lhe fazer uma proposta:
-Estrela,
eu posso tornar seu desejo realidade. Vou encolher o seu tamanho e te deixar na
mesma estatura das árvores das florestas da Terra. Também vou providenciar que
você pouse lá com segurança.
-Mas
e quanto ao fogo que carrego no meu corpo, Universo? Esse é o principal motivo
que impossibilita a minha visita.
-Não
se preocupe quanto a isso. Vou concentrar toda a energia que você produz na
chama de um lampião. Você deverá carregar este lampião consigo todo o tempo, e
deve tomar todo o cuidado necessário para que ele não se apague! Quando a chama
estiver enfraquecendo, você deve voltar ao seu lugar no espaço ou deixará de
existir!
Era
arriscado, mas a Estrela não perderia a oportunidade de realizar o seu desejo,
ainda que de forma passageira. A Terra foi alertada da experiência e ficou
bastante animada com a visita da Estrela, nas suas florestas frondosas.
E
era tudo muito lindo! A Estrela passou o dia maravilhada com as árvores! Havia
flores, frutos, caules, animais... Mas as folhas lhe admiravam mais. Ela
conheceu folhas grandes, pequenas, espinhosas, lisas, pontudas e elarguecidas.
Folhas danificadas, folhas úmidas, folhas secas... todas a deixavam extasiadas.
E não eram apenas as flores que eram verdes! Havia animais verdes, pedras
verdes e... “Até a água me parece verde! Brilha como uma esmeralda. Flui como a
cauda de um cometa. Poucas coisas são tão lindas”.
Admirada,
a Estrela se jogou nas águas esverdeadas próximas à floresta que visitava.
Esqueceu, entretanto, do lampião que carregava com a sua energia vital e a
chama se apagou.
Lá
de cima, o Universo imediatamente percebeu o que havia acontecido.
-Terra,
ocorreu uma tragédia! Foi culpa minha! Eu não deveria ter colocado a Estrela
numa situação tão arriscada.
-Universo,
não se culpe. Você a ela só fez o bem. Você realizou o seu desejo. Eu
acompanhei o seu dia, vi os seus sorrisos e ouvi os seus suspiros. Nunca vi a
Estrela tão contente como dentre as minhas árvores. Já sei o que posso fazer!
Perpetuarei essa beleza e essa felicidade.
O
lampião flutuava, agora sem vida, nas águas esverdeadas que apagaram a Estrela.
A Terra, com seus poderes, transformou o lampião numa linda semente, que logo
cresceria e daria belos frutos. Esses frutos teriam um sabor e um formato
bastante especial. Sua doçura e sua forma não deixariam nunca que ninguém se
esquecesse da felicidade da estrela ao pisar nesse planeta.
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