sexta-feira, 27 de novembro de 2015

A Estrela entre os Verdes



 Havia uma Estrela que vivia no espaço, nas imediações do planeta Terra. Ela era uma estrela muito curiosa e adorava observar a vizinhança. Porém, um dia notou que estava entediada.
-Ah, Universo – disse a Estrela – você é tão imponente e bonito! Mas que pena que para mim, que estou aqui há tanto tempo, a paisagem me parece tão igual... sempre escuro, sempre sem muita cor...
A Estrela adorava cores. Poderia passar dias contemplando o vermelho de Marte ou o amarelo do Sol. Se desse sorte, até conseguia ver o rastro azulado de algum cometa! Entretanto, de todas as cores, sua preferida era o verde.
Só que, isso vocês podem imaginar, é muito difícil encontrar algo verde no Universo! Mas um dia ela teve uma surpresa: enquanto observava o azul da Terra, a Estrela percebeu pequenos pontos verdes na sua superfície. Ficou encantada com tamanha beleza, por mais que pouco pudesse enxergar. Resolveu, então, conversar com a Terra:
-Olá, Terra! Não pude deixar de reparar que você tem lindas manchas verdes! Elas muito me admiram e me fazem feliz. Eu gostaria de saber o que elas são!
-Ora, Estrela – disse a Terra, muito solícita – são minhas florestas! Elas são todas repletas de árvores com muuuuitas folhas muuuuuuito verdes! Eu adoraria que você viesse visitá-las, só que há um porém: as florestas queimam facilmente. Um ser incandescente, como você, reduziria elas facilmente a cinzas.
Naquele dia, a Estrela brilhou mais intensamente do que de costume, carregada de excitação. “Eu preciso conhecer as florestas da Terra... nada me faria mais feliz”. Então foi perdendo o brilho, quando lembrou que nunca poderia vivenciar seu maior desejo. Como podia ser tão danosa a algo que tanto amava?
O Universo, então, ao ver a tristeza da Estrela, perguntou o que a deixava tão triste. Após ouvir a história toda, resolveu lhe fazer uma proposta:
-Estrela, eu posso tornar seu desejo realidade. Vou encolher o seu tamanho e te deixar na mesma estatura das árvores das florestas da Terra. Também vou providenciar que você pouse lá com segurança.
-Mas e quanto ao fogo que carrego no meu corpo, Universo? Esse é o principal motivo que impossibilita a minha visita.
-Não se preocupe quanto a isso. Vou concentrar toda a energia que você produz na chama de um lampião. Você deverá carregar este lampião consigo todo o tempo, e deve tomar todo o cuidado necessário para que ele não se apague! Quando a chama estiver enfraquecendo, você deve voltar ao seu lugar no espaço ou deixará de existir!
Era arriscado, mas a Estrela não perderia a oportunidade de realizar o seu desejo, ainda que de forma passageira. A Terra foi alertada da experiência e ficou bastante animada com a visita da Estrela, nas suas florestas frondosas.
E era tudo muito lindo! A Estrela passou o dia maravilhada com as árvores! Havia flores, frutos, caules, animais... Mas as folhas lhe admiravam mais. Ela conheceu folhas grandes, pequenas, espinhosas, lisas, pontudas e elarguecidas. Folhas danificadas, folhas úmidas, folhas secas... todas a deixavam extasiadas. E não eram apenas as flores que eram verdes! Havia animais verdes, pedras verdes e... “Até a água me parece verde! Brilha como uma esmeralda. Flui como a cauda de um cometa. Poucas coisas são tão lindas”.
Admirada, a Estrela se jogou nas águas esverdeadas próximas à floresta que visitava. Esqueceu, entretanto, do lampião que carregava com a sua energia vital e a chama se apagou.
Lá de cima, o Universo imediatamente percebeu o que havia acontecido.
-Terra, ocorreu uma tragédia! Foi culpa minha! Eu não deveria ter colocado a Estrela numa situação tão arriscada.
-Universo, não se culpe. Você a ela só fez o bem. Você realizou o seu desejo. Eu acompanhei o seu dia, vi os seus sorrisos e ouvi os seus suspiros. Nunca vi a Estrela tão contente como dentre as minhas árvores. Já sei o que posso fazer! Perpetuarei essa beleza e essa felicidade.
O lampião flutuava, agora sem vida, nas águas esverdeadas que apagaram a Estrela. A Terra, com seus poderes, transformou o lampião numa linda semente, que logo cresceria e daria belos frutos. Esses frutos teriam um sabor e um formato bastante especial. Sua doçura e sua forma não deixariam nunca que ninguém se esquecesse da felicidade da estrela ao pisar nesse planeta.

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